Preço de proxy varia por um fator de cem entre o mais barato e o mais caro. Isso não é arbitrário — cada faixa corresponde a um recurso com escassez diferente. Este artigo mapeia as faixas reais praticadas no Brasil e explica o que sustenta cada uma.
As faixas de preço em 2026
Valores mensais por IP, praticados no mercado brasileiro:
| Tipo | Faixa de preço | O que explica |
|---|---|---|
| IPv6 (por IP em lote) | R$ 3 a R$ 8 | Endereços abundantes, sem escassez |
| Datacenter compartilhado | R$ 10 a R$ 20 | IP dividido entre vários clientes |
| IPv4 dedicado | R$ 25 a R$ 45 | Endereço IPv4 exclusivo, recurso esgotado |
| ISP residencial | R$ 45 a R$ 80 | Bloco sob ASN de provedor de internet |
| Residencial rotativo | R$ 30 a R$ 60 por GB | Tráfego por conexões domésticas reais |
| Mobile 4G/5G | R$ 700 a R$ 1.500 | Chip, hardware e manutenção física |
Por que IPv4 custa mais que IPv6
O IPv4 tem cerca de 4,3 bilhões de endereços possíveis, e eles acabaram. Blocos IPv4 são hoje um ativo negociado no mercado secundário, com preço definido por escassez real.
O IPv6 foi projetado com um espaço de endereçamento tão grande que a escassez deixa de existir como fator econômico. O preço por endereço cai junto.
Ou seja: você não está pagando por qualidade de rede quando compra IPv4 em vez de IPv6. Está pagando pela escassez do recurso — e pela compatibilidade, já que praticamente todo serviço aceita IPv4 enquanto muitos ainda não publicam IPv6.
Por que ISP custa mais que datacenter
Um bloco de endereços anunciado sob o ASN de um provedor de internet é um recurso limitado. Não é algo que se cria por software: depende de acordo com provedor e de alocação de bloco.
O que você compra na diferença de preço é a leitura da conexão. Uma requisição vinda de bloco de provedor residencial é avaliada com peso diferente de uma vinda de bloco de hospedagem.
Se a sua operação não enfrenta atrito ligado a isso, a diferença não compra nada de útil.
Por que mobile custa cem vezes mais
Cada saída de proxy mobile depende de:
- Um chip de operadora com plano de dados ativo (custo mensal recorrente)
- Um modem dedicado (hardware)
- Um local físico com energia e conectividade
- Manutenção quando o chip ou o modem falha
Nada disso escala por software. Um provedor pode criar mil IPs de datacenter em minutos; mil saídas mobile exigem mil chips e mil modems.
É por isso que recomendamos mobile só quando o atrito persiste mesmo com ISP: a diferença de preço é de ordem de grandeza, e em muitos casos o problema não estava na rede.
Como calcular o custo real da sua operação
O preço unitário é só uma parte. O custo total depende de quantos IPs você realmente precisa.
Passo 1 — Conte as identidades, não as pessoas. Um IP por identidade que precisa parecer independente. Cinco contas independentes operadas por uma pessoa = cinco IPs. Cinco pessoas na mesma conta da empresa = um IP.
Passo 2 — Escolha o tipo pelo atrito real. Comece pelo IPv4 dedicado. Suba só se houver verificação recorrente com relação clara à origem da rede.
Passo 3 — Considere dispositivos adicionais. Se você precisa do mesmo IP em vários aparelhos simultaneamente, isso é um custo extra em muitos fornecedores.
Exemplo prático: uma operação com três contas independentes de anúncios em plataforma que penaliza datacenter, acessadas de dois dispositivos cada.
3 × ISP residencial (R$ 52,90) = R$ 158,70
3 × dispositivo adicional = variável
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Custo base mensal ≈ R$ 160 a R$ 200
Para comparação, a mesma operação em IPv4 dedicado ficaria em torno de R$ 105 — e a pergunta certa é se aquele atrito específico justifica a diferença de R$ 55.
O custo escondido de pagar em dólar
Provedores internacionais anunciam preços em dólar que parecem competitivos. A conta final costuma incluir:
- Spread de câmbio do cartão ou da instituição
- IOF sobre a transação internacional
- Gasto mínimo mensal, comum em provedores enterprise (às vezes centenas de dólares)
- Suporte em inglês, com tempo de resposta em fuso diferente
Para operações grandes com volume constante, provedores internacionais podem fazer sentido. Para operação pequena e média no Brasil, PIX em reais quase sempre sai mais barato no fim do mês — e resolve mais rápido quando algo dá problema.
Sobre preço escondido atrás de cadastro
Alguns fornecedores brasileiros exigem criar conta para ver preço. O argumento costuma ser "preço personalizado".
O efeito prático é outro: você não consegue comparar sem entregar seus dados, e a comparação fica mais difícil de fazer.
Nossos preços estão publicados na página de preços, em reais, sem cadastro. É uma decisão deliberada — comparação favorece quem tem preço competitivo.
Resumo prático
- Comece pelo IPv4 dedicado, na faixa de R$ 25 a R$ 45
- Suba para ISP (R$ 45 a R$ 80) só com atrito identificado
- Considere mobile apenas se ISP não resolver em plataforma mobile-first
- Use IPv6 quando o gargalo é quantidade e o destino aceita
- Use residencial por GB para coleta, não para contas
- Conte identidades, não pessoas, ao dimensionar
E se ainda estiver em dúvida sobre quantos IPs a sua operação exige, o checklist de compra cobre isso em detalhe.